Motorista disse que o dinheiro tinha relação com a política e receberia R$ 5 mil para transportar a mala até Belo Horizonte
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) apreendeu R$ 870.570 em dinheiro vivo durante uma abordagem na madrugada desta quarta-feira (14), na BR-381, em Perdões, no sul de Minas Gerais. A quantia estava dentro de uma mala transportada em um veículo que havia saído de Ponta Porã, na região de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, e seguia para Belo Horizonte. A suspeita é de que o dinheiro possa ter relação com atividades políticas, incluindo uma possível compra de votos, hipótese que ainda precisa ser apurada pelas autoridades.
De acordo com o boletim de ocorrência, a abordagem ocorreu por volta das 0h15, no quilômetro 679 da rodovia. Os policiais fiscalizaram um Hyundai HB20 branco, alugado, conduzido por Gilson Flores dos Santos, de 38 anos, empresário que informou ser proprietário de uma loja de produtos para animais com atuação na plataforma de comércio eletrônico Shopee.
Durante a vistoria no compartimento de bagagem, os agentes encontraram uma mala com grande quantidade de cédulas. O dinheiro foi encaminhado à Polícia Federal, onde passou por contagem, chegando ao total de R$ 870.570.
Motorista receberia R$ 5 mil pelo transporte
Questionado pelos policiais sobre a origem e a finalidade do dinheiro, o motorista declarou que os valores estavam relacionados à política. No entanto, segundo o registro policial, ele não apresentou esclarecimentos sobre quem era o proprietário da quantia, de onde o dinheiro havia saído originalmente ou qual seria sua destinação final.
O condutor afirmou ainda que receberia R$ 5 mil pelo transporte da mala e que deveria entregá-la em um shopping de Belo Horizonte. Ele não forneceu os nomes dos responsáveis pela entrega e pelo recebimento do dinheiro, alegando receio de sofrer represálias. Posteriormente, optou por exercer o direito constitucional ao silêncio.
A combinação de uma quantia elevada em espécie, o pagamento pelo transporte e a ausência de informações sobre os envolvidos levantou suspeitas que deverão ser esclarecidas durante a investigação.
Suspeita de compra de votos
O fato de o dinheiro ter sido declarado como relacionado à política e de a apreensão ter ocorrido durante o período eleitoral de 2026 é um dos pontos considerados relevantes para a apuração.
Entre as hipóteses que podem ser investigadas está a possibilidade de utilização dos recursos para compra de votos ou outras práticas eleitorais ilícitas. Entretanto, o boletim de ocorrência não confirma que o dinheiro seria empregado para esse fim, nem identifica candidatos, partidos ou campanhas que estariam ligados à quantia apreendida.
A investigação deverá esclarecer se os valores tinham origem lícita, quem era seu verdadeiro proprietário e qual seria a finalidade do transporte. Também será necessário identificar os responsáveis pela entrega e pelo recebimento da mala e verificar se existe alguma conexão com atividades político-eleitorais.
A ocorrência foi registrada inicialmente com enquadramento relacionado à suspeita de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores, conforme a Lei nº 9.613/1998.
Dinheiro com a Polícia Federal
Após a abordagem, o caso foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Varginha (MG), responsável por analisar a ocorrência e adotar as providências cabíveis.
Conforme orientação do delegado responsável pelo recebimento do caso, o motorista foi qualificado e liberado. O veículo também foi liberado, enquanto os R$ 870.570 permaneceram apreendidos e à disposição da autoridade policial.
Até o momento, conforme as informações descritas no boletim, não há confirmação de que a quantia tenha sido destinada à compra de votos ou de que alguma pessoa ou grupo político específico esteja envolvido no caso. A definição da origem e da finalidade do dinheiro dependerá do avanço das investigações.