O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) intensificou a fiscalização sobre a remoção de policiais civis em estágio probatório e passou a exigir maior transparência nas decisões administrativas que envolvem a transferência desses servidores.
A medida, adotada pelo Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), busca evitar o esvaziamento das delegacias do interior e garantir a manutenção dos serviços prestados à população.
A recomendação foi expedida no âmbito de um procedimento que acompanha a estrutura e o funcionamento das unidades de segurança pública em todo o estado. O documento orienta que, sempre que ocorrer uma remoção considerada excepcional — motivada por questões de segurança pessoal ou funcional —, a PC (Polícia Civil) encaminhe ao Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial as justificativas concretas que embasaram a decisão, bem como os motivos que levaram à escolha do servidor removido.
A iniciativa surgiu após um diagnóstico realizado pelo MP durante visitas a delegacias em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. O acompanhamento apontou a necessidade de maior controle sobre a movimentação de pessoal, especialmente no período do estágio probatório, quando a permanência do servidor na unidade de lotação é a regra prevista na legislação.
Além da questão da transparência, o MPMS demonstra preocupação com um problema considerado estrutural: a deficiência de efetivo nas cidades do interior. Segundo o órgão, a transferência frequente de delegados, investigadores e escrivães pode ampliar o déficit já existente e comprometer o funcionamento das unidades policiais fora da Capital.
O chamado "desaparelhamento" das delegacias, citado pelo Gacep, refere-se justamente ao risco de redução das equipes responsáveis pelo atendimento à população e pelas investigações criminais. A situação preocupa porque, embora exista concurso público em andamento, a reposição de servidores não ocorre de forma imediata.
De acordo com o acompanhamento institucional do Ministério Público, as remoções de policiais civis em estágio probatório não representam casos isolados. O órgão afirma que essas movimentações têm sido registradas de forma recorrente nos últimos anos e em diversas regiões do Estado.
Ao reforçar a fiscalização, o MPMS destaca que exerce sua função constitucional de controle externo da atividade policial, buscando assegurar o cumprimento da legislação, a transparência na gestão pública e a manutenção de uma estrutura adequada das forças de segurança.
A expectativa é que a medida contribua para evitar decisões administrativas que possam enfraquecer as delegacias do interior e, consequentemente, prejudicar a prestação do serviço policial à população sul-mato-grossense.