Testemunha do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, afirmou que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (sem partido), não deu chance de defesa à vítima.
Em depoimento à Polícia Civil, o chaveiro de 69 anos de idade disse que Bernal desceu da caminhonete com a arma na mão e disparou na direção de Mazzini. Atingido com dois tiros, o fiscal tributário morreu na varanda da casa, localizada na Rua Antonio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, na Capital.
A casa onde o crime ocorreu no início da tarde desta terça-feira (24) pertencia ao ex-prefeito, mas foi levada a leilão para pagamento de dívidas.
Mazzini arrematou o imóvel e tentava tomar posse da residência, avaliada em R$ 3,7 milhões. Ontem, ele tinha ido ao local acompanhado do chaveiro para entrar na casa. Na caminhonete Toyota Hilux dele, estacionada na frente, foi encontrada uma notificação extrajudicial para que Bernal deixasse a casa em 30 dias. O prazo venceu no dia 20 de março, mas esse tipo de intimação não tem força de uma decisão judicial e não garantia a posse automática do imóvel.
“Ele já chegou atirando. Não deu chance de defesa”, afirmou a testemunha à polícia. O chaveiro contou que Mazzini estava no imóvel e que não houve discussão ou investida dele contra Bernal antes dos tiros, como o ex-prefeito alegou.
Em depoimento à polícia, Bernal afirmou que reagiu após se sentir ameaçado por um dos homens no local e alega ter agido em legítima defesa. “Eu entrei e vi pessoas arrombando a porta. Um deles veio para cima de mim. Eu me senti ameaçado e atirei”, declarou o ex-prefeito, completando que não tinha a intenção de matar e que tentou atingir a perna da vítima. Mazzini foi atingido por dois tiros no peito.
Alcides Bernal foi autuado em flagrante por homicídio qualificado e deve passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (25). Após o interrogatório, ele foi levado para uma cela especial do Presídio Militar, por ser advogado.