Denúncia foi registrada na Depac e Polícia Civil vai investigar o caso
Um auxiliar de produção de 30 anos de idade acusou seguranças do Shopping Avenida Center, de Dourados, de sequestro, cárcere privado, ameaça e injúria racial. No boletim de ocorrência registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), ele afirmou que os crimes ocorreram na noite deste domingo (4).
Morador no Jardim Canaã I, ele disse que estava nas dependências do Shopping Avenida Center quando presenciou uma confusão envolvendo uma briga entre um homem e uma mulher. Diante da situação, resolveu intervir com o objetivo de apaziguar os ânimos e separar as agressões.
Durante sua intervenção, um dos seguranças do estabelecimento interveio de forma agressiva, gritando ordens contra o auxiliar de produção. Segundo o morador, o segurança o empurrou, momento em que ele “revidou verbalmente”, desferindo xingamentos contra o funcionário do shopping.
Ele disse que sequência foi imobilizado pelos seguranças e arrastado para uma sala reservada, onde foi agredido fisicamente com socos e tapas. “Um dos indivíduos que integrava o grupo de seguranças portava uma arma de fogo, a qual foi apontada em direção ao rosto do declarante, proferindo ameaças de morte nos seguintes termos: ‘se você voltar aqui eu te mato’”, afirma trecho do boletim de ocorrência.
Durante o ato violento, ao perceberem que o homem se tratava de um estrangeiro, um dos agressores proferiu ofensas de cunho discriminatório, afirmando que ele deveria voltar para o seu país de origem e que ali não ia fazer o que quisesse. O boletim de ocorrência não cita a nacionalidade da vítima, mas, pelo sobrenome de origem francesa, é possível deduzir que ele é haitiano.
Em decorrência das agressões, o declarante sofreu lesões corporais visíveis, apresentando um corte na boca com sangramento, além de hematomas e dores causadas por golpes nos pés, nas costas e nas nádegas.
Após as agressões e com a vítima sangrando, os seguranças teriam utilizado as roupas do homem para limpar o sangue do local. O morador disse que perdeu o seu relógio de pulso durante a ação violenta. Ele contou pelo menos sete funcionários do shopping participando ativamente das agressões físicas e verbais.
O morador disse que chegou a registrar as agressões em vídeo utilizando seu celular. Entretanto, os seguranças tomaram o dispositivo de suas mãos e apagaram a gravação da memória do aparelho. Até agora a administração do shopping não se manifestou sobre as denúncias.