Reajuste foi aprovado pelo Conselho de Administração e não passou por assembleia geral da entidade
A Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores Públicos Estaduais de Mato Grosso do Sul) vai promover reajuste de 1.185% na contribuição paga pelos cônjuges dos titulares do plano de saúde. A partir de junho deste ano, o valor pago pelo cônjuge será de R$ 450 por mês, contra os atuais R$ 35.
O reajuste foi aprovado pelo Conselho de Administração e não passou por assembleia geral da entidade. Desde a aprovação do aumento, servidores públicos se mobilizam para encaminhar requerimento contra a correção.
O presidente da Abecams (Associação dos Beneficiários da Cassems), Jeder Fabiano, condenou o reajuste expressivo e muito acima da inflação. “A atual situação financeira do funcionalismo público, alinhada à desvalorização e perda econômica (poder de compra e cumprimento de compromissos de ordem financeira dos funcionários públicos) atrelada aos 3,81% de aumento, só de adicional que querem cobrar, passa do valor total de aumento da grande massa do funcionalismo que usa a CASSEMS!”, criticou.
“Ainda, ao longo dos últimos 3 anos, a Cassems, de forma arbitrária, implementou vários outros descontos que ora não foram levados ao crivo dos beneficiários, ainda, somando com aumento de exames, de procedimentos, cobrando em alguns casos acima de 150% do anterior”, pontuou.
“É uma gama de fatores que culminam com a cereja do bolo, o aumento abusivo, demonstrando a total administração temerária do que levam ao beneficiário”, criticou.
Explosão de custos
O Jacaré procurou o presidente da Cassems, Ricardo Ayache, por meio da assessoria de imprensa, mas não houve retorno até o momento para esclarecer o assunto.
O aumento contou com o aval de sindicalistas. Em um dos vídeos que viralizou, a presidente da Feserp (Federação dos Servidores Públicos), Lilian Fernandes, lamenta a decisão, mas ressalta que o reajuste é necessário.
Um outro sindicalista, sob a condição de anonimato devido ao desgaste do assunto no funcionalismo, explicou que o reajuste era inevitável. “Durante a análise, verificou-se que o modelo atual de arrecadação já não estava mais conseguindo contemplar os custos do plano. Um dos fatores que impactaram diretamente essa situação foram os mais de oito anos do governo (Reinaldo) Azambuja praticamente sem recomposição salarial efetiva, o que acabou refletindo também no equilíbrio financeiro do plano de saúde”, justificou.
“Pelos levantamentos apresentados, se fosse cobrado hoje o valor real do plano, ele estaria na faixa entre R$ 700 e R$ 800 por pessoa. Diante disso, foi construída a decisão de realizar um ajuste, que deve entrar em vigor a partir do próximo mês, ficando na faixa de R$ 450. Ainda teremos uma reunião nesta tarde para confirmação final desses pontos”, explicou.
No comunicado enviado aos titulares do plano, a Cassems afirma que o valor do cônjuge passa para R$ 450 e o servidor vai continuar pagando 6% para quem não possuir dependente; 7% para quem ter um dependente; 7,25% para dois dependentes; e 7,50% para três ou mais dependentes.
A estimativa é de que o aumento no valor da contribuição do cônjuge deve gerar receita de R$ 17,3 milhões por mês.