O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, de 60 anos, infartou na manhã desta quarta-feira (1º) no Presídio Militar, onde está preso por assassinato. Socorrido para a Santa Casa, ele está em estado grave e passará por cirurgia ainda hoje.
De acordo com o portal Campo Grande News, o ex-prefeito já passou por cateterismo, mas precisará da colocação de seis stents (pequenos tubos em formato de malha colocados em veias ou artérias entupidas).
O procedimento ocorre após o exame de coronariografia apontar quadro grave. O laudo médico indica síndrome coronariana aguda e doença coronariana multiarterial severa, com obstruções importantes em diferentes vasos do coração, incluindo lesões de até 90% em alguns trechos e oclusões crônicas em outras artérias.
“O caso dele é grave, ele já tinha quatro [stents] e vai colocar mais seis”, afirmou ao portal da Capital o advogado Oswaldo Meza, um dos integrantes da bancada de defesa do réu pelo assassinato do fiscal tributário estadual, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.
Bernal está preso desde o dia do crime, em 24 de março, e já foi pronunciado para ir a júri popular por matar o fiscal aposentado com dois tiros. No fim da tarde de ontem, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou o recurso da defesa que pediu para que o réu respondesse em liberdade.
Na decisão, o ministro Og Fernandes destacou laudos, imagens e depoimentos que indicam que a vítima já estava caída no chão quando ocorreu o segundo disparo. Conforme trecho da sentença, após o primeiro tiro, Bernal se aproximou da vítima e disse algumas palavras que não foram compreendidas por uma testemunha. Em seguida, efetuou um disparo na lateral esquerda do abdômen do fiscal tributário.
O crime ocorreu quando Roberto Carlos foi ao imóvel, adquirido por ele após retomada da Caixa Econômica Federal por dívida de financiamento, para tomar posse da residência. Ele estava acompanhado de um chaveiro.
A defesa alegou nulidade da prisão em flagrante, pediu prisão domiciliar em razão de problemas cardíacos e sustenta que Bernal agiu em legítima defesa após um mal-entendido sobre a entrada da vítima no imóvel. O ministro rejeitou os argumentos, afirmando que não houve comprovação de doença que impedisse o tratamento no sistema prisional. Já o Ministério Público de Mato Grosso do Sul sustenta que o crime foi motivado pela inconformidade do ex-prefeito com a perda da casa.